sábado, 7 de março de 2009

ABERTURA DO CINEMA LIVRE NO PONTÃO DE CULTURA GUAICURU

No ano em que se comemora o centenário de Simone de Beauvoir a frase dita há cerca de trinta anos, ainda apresenta - se muito atual. “Ninguém nasce mulher, torna-se mulher”. Permeado de discussões, debates, filmes, pipoca e poesia o lançamento do projeto “CINEMA LIVRE”, com o eixo temático “Dia Internacional da Mulher”, lotou a sala de cinema na sede do Pontão de Cultura Guaicuru. Cerca de 70 pessoas, entre elas, jovens, estudantes, líderes de movimentos sociais, homens e principalmente mulheres contribuíram para o sucesso do evento.
O CINEMA LIVRE tem poesia. A Atriz Aline Duenha iniciou o evento com uma intervenção poética recitando o poema “Aviso da lua que menstrua” da poetiza, atriz e cantora Eliza Lucinda. Após este momento foi exibido o programa “Olhares Femininos”, uma série de curtas-metragens disponibilizados pela Programadora Brasil que através de seis diferentes olhares, propõe uma reflexão sobre temáticas relacionadas às peculiaridades do universo feminino. Fizeram parte da mostra os curtas – metragens, “Cartão vermelho”, de Laís Bodansky, “Três minutos”, de Ana Luiza Azevedo, “Messalina”, de Cristiane Oliveira, “Desventuras de um dia, ou a vida não é um comercial de margarina” de Adriana Meireles , “Dalva”, de Caroline Leone e “Estória alegre”, de Cláudia Pucci.
Estiveram presentes no evento representantes do todos os setores da sociedade, o Deputado Estadual Paulo Duarte, o Técnico de Instrução continuada da Casa Brasil, Josué França, o coordenador geral do DCE da UFMS, Artur D’amico, a coordenadora da Central Única das Favelas em Campo Grande, Marinete Pinheiro, o professor e escritor Hermano Melo, o coordenador do Centro de Referência em Direitos Humanos de Prevenção e Combate à Homofobia, Leonardo Bastos, a coordenadora do curso de moda da UNIDERP, Carolina dos Santos Debus e as debatedoras, Carla Stefanini coordenadora da Secretaria Estadual de Políticas Públicas para Mulher e a professora e especialista em questões referentes a gênero, Maria Rosana Rodrigues.
O público, em sua maioria mulheres, participou do debate levantando questionamentos relacionados ao Dia Internacional da Mulher - que se comemora dia 8 de março – mas o debate, de maneira geral, foi impulsionado pelo público masculino que fez o uso da palavra, um estimulo à reflexão. O debate foi mediado pela jornalista e coordenadora pedagógica do Pontão de Cultura Guaicuru, Launa Salomão.
Carla Stefanini iniciou sua fala ressaltando a importância da ampliação dos espaços para debates sobre gênero, que apesar de vários avanços e conquistas ainda existem inúmeras questões para serem debatidas, é necessário fortalecer. “Este ano comemoramos dez anos de criação da Secretaria Estadual de Políticas Públicas para Mulher, celebramos esta data com o Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher que foi assinado pelo Estado. Desta forma garantimos efetivamente um plano de prevenção, de punição e de ocupação dos espaço públicos” , relata Stefanini.
No histórico dos movimentos sociais relacionados à questão, percebem-se várias lutas e bandeiras, entre elas o direito ao voto e ao anticoncepcional. Para a professora Maria Rosana, são vários marcos importantes, o mais subjetivo deles tem destaque. “A pílula é importante, mas foi uma conquista da indústria farmacêutica. O poder de existir e afirmar-se enquanto ser humano é a principal conquista. Falar abre a possibilidade de ser. Liberta e promove a liberdade do ser humano.“
O CINEMA LIVRE tem o objetivo de difundir a produção nacional, facilitar o acesso ao cinema e contribuir com a construção de uma visão mais crítica de mundo. O papel social que o projeto exerce é reconhecido pelo deputado estadual Paulo Duarte que comunga desta idéia. “Em Campo Grande apenas 5% da população vai ao cinema, isso em função das limitações com o preço. O Pontão de Cultura Guaicuru tem seu diferencial. Leva ao povo o acesso à cultura”
O Pontão de Cultura Guaicuru, através do projeto CINEMA LIVRE, consiste em um espaço de debate, de fomento das ideias, da troca de informação. O Dia Internacional da Mulher, mais que uma data comemorativa, representa a construção de uma sociedade democrática e que respeite as mulheres, constituindo uma cidadania plena.

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